16/09/2014

Duas vidas... numa.

São quase 2 da manhã... e apesar de não me sentir inspirada para o fazer, precisei do nada de voltar a escrever. E recorri ao único sitio que eu sei, que posso dizer os maiores disparates que me apetecer sem ser julgada ou corrigida. Aqui =) Um canto que construí á tantos anos e que consegui reencontrar. Tal como mencionei... alguns anos já se passaram e mil coisas aconteceram. Posso já dizer que neste momento estou no sofá, a tv ligada num canal qualquer e tenho o meu marido a dormir no quarto ao lado. Sim... disse marido... não no papel, mas, sê-lo-á em breve. Mas a razão principal para estar aqui novamente só é uma: o meu filho. Um filho que ainda tenho dentro de mim. E que me está a assustar de uma maneira avassaladora. A' parte da felicidade que se sente nesta fase completamente perfeita, o único sentimento maior e intenso que tenho é: preocupação. Acho que nunca na minha vida tive tanto medo de alguma coisa como agora. E sinto que isso está a dar cabo de mim. Deixei de pensar em mim. Neste momento, é tudo a família que estou a construir neste momento. E só sinto medo. Medo de nada correr bem. Medo de não ser aquilo que quero ser para o meu filho. Medo de o parto correr mal, medo de todas as fases que ele vai viver, de não lhe dar uma educação correcta ou ele não a seguir. Medo que lhe falte alguma coisa, medo de ele não ter os pais por perto, medo que lhe façam mal, medo de não ter uma relação com ele como a que eu tive com o meu pai. Pai... pai...

Se pudesse, se fosse mesmo possível... se houvesse uma maneira de protege-lo para sempre, eu o faria. Protege-lo de uma simples queda de bicicleta ou dor de dentes. Protege-lo de um desgosto de amor ou um falso amigo... protege-lo de todas as situações negativas da vida. Mas que infelizmente todos nós passamos por elas e é assim que crescemos, aprendemos e damos valor.
Tal como o meu pai fez comigo.
4 meses de ligação, e o meu instinto de protecção é tanto que não consigo tirar as mãos da minha barriga...

26/08/2010

Vidas Soltas


Todos os dias de manhã, a caminho do trabalho, costumava cruzar-me com uma senhora, já de idade... Na mão esquerda, uma bengala amparava o seu corpo ja cansado e ás costas, carregava sempre um saco, num tom escuro... ora por vezes cheio, ora vazio... dependendo dos dias. Três meses passaram, e de tanto a encontrar, uma certa confiança surgiu e recentemente quando voltavamos a passar uma pela outra, sorriamos e desejavamos os bons dias. Ontem isso não aconteceu... hoje também não e não sei porquê... fiquei preocupada...

28/10/2009

O meu amanhecer ...




Pelo pouco e pela vantagem.

04/09/2009

Tirem-me daqui!


" Estou a ficar velha para isto " Disse a Mônica e concordei claramente com ela! Com mil coca-colinhas... o que foi aquilo??
Depois de mais uma noite num certo bar perto da terrinha, concluimos que não valia a pena... ali o nosso QI baixava rapidamente... E o pior, é que continuamos a frequentar aquilo! Porquê?
Sei lá... nem nós sabemos a resposta para isso! Talvez para ficarmos mesmo com a certeza de que é tempo perdido... Ou porque não há mais nada e acabam todos por ir até lá beber um copo e gozarem uns com os outros... Sim, eu sei... nada justifica a ida em si! Não existem respostas crediveis... ponto! Vai tudo e acabou! Aquilo é um mundo completamente diferente... E passo a explicar: portanto... existe a fauna masculina e a feminina... e o objectivo daquilo (para além de dançarem e beberem até cair para o lado) é cada um sair de lá com uma conquista!

Eu e a Mônica ficámos perto da porta... (onde havia espaço!!!) E sempre que entrava um grupo de meninos, os radares destes, entravam em funcionamento e começavam a girar em busca de alvos. Ela pelo menos estava em altas! Cada um que entrava olhava para ela, mandava um bitaite qualquer (que nem nós conseguiamos perceber) e seguia em frente!
Quando fui buscar a minha sagrada coca-colinha, vi um bando de miudos a lutarem por um espaço do balcão. E quando um deles foi finalmente atendido pela tipica barmaid boazona e mamalhuda, disse já num estado duvidoso com toda a sua postura determinada: "Oh menina, um shot do mais forte que tiver "faxabor" que entretanto o meu pai vem-me buscar e eu já não tenho tempo para ficar bêbado!"
Muito bom, não acham? Mil pontos pela originalidade! A própria barmaid parou durante uns segundos para interiorizar aquela saída... fantástica! O rapaz estava preocupado... pronto!
Confesso... eu própria já ouvi aquilo! Também sou barmaid (sem ser boa e mamalhuda) e aos fins de semana aparecem sempre uns cachopos com a conversa do shot forte.. " ah e tal uma coisa que bata logo" ao qual dá vontade de responder: " um estalo serve? Sempre poupas mais! Tempos de crise e tal... "
Juventude perdida... Penso logo nos meus pais, que me acham a rapariga mais rebelde de todos os tempos só porque ganho uns trocos extra em 2 noititas e se for preciso quando saio vou beber umas colinhas para outro sitio com a malta.
Caramba... ao lado desta gente sou uma Santa! E passo a relatar outro acontecimento generoso de ontem: uma mãe que entrou no bar e passados segundos saiu, com a suposta chave do carro na mão e ainda uma fila de miudos atras dela... todos com um copo na mão por beber! Ou seja, o filho e os amigos! Todos com uma cara... tipo... aquela cara como se... «F....dos» pronto!!!!!!
- "Em casa conversamos Ricardo"

Eu e Mônica trocamos um olhar e o pensamento foi o mesmo: "Já foste!"
Entretanto o meu tlm toca... Sms: "Estás pelo sitio do costume coração?" Ao qual tive mesmo que responder: " Sim rim direito! Mas não me faço velha aqui. Demoras?"
A minha ida á casa de banho também é digna de ser contada... (penso eu)
Em 1º lugar demorei um quarto d'hora para chegar até lá! Atravessar aquela selva é o maior acto de coragem que uma mulher poder ter... principalmente com leões e tigres por todo o lado prontos a atacar a qualquer momento! Eu pelo menos consegui escapar a um deles! Nunca mais me vou esquecer da cara de psico que um gajo me fez quando o senti bem perto do meu cabelo e a dizer "cheiras taoo beeemmm".
Cheirar bem? Ali? Uuouuu! A unica coisa que eu conseguia cheirar, era a alcool, ganzas e suor de malta que não devia de tomar banho desde 1683!
Se eu soubesse tinha trazido reforços... agora percebo quando colegas minhas diziam que para aqueles sitios o melhor é levarmos um namorado! Mas quando perguntei onde podia arranjar um baratinho e económico, fizeram aquela cara de reprovação e mandaram-me ir á Sta Conha do assobio vender caracois com tosse.
Quando finalmente consegui chegar ao tão esperado quartinho das senhoras tive que aturar uma conversa de duas princesas da adolescencia que também estavam na fila. Portanto, mostravam a roupa interior uma á outra e inclusivamente ouvi: "achas que ele vai gostar?". A amiga respondeu que sim! Que o rapaz (Sandro, salvo erro) em questão ía adorar aquela cor, feitio e rendinhas a condizer mas... (com um ar responsável) o mais importante seria a ultização do preservativo! Resposta da outra: " era só o que faltava! Também comes gelados com o papel???"
....
Perdi a vontade de fazer xixi...

Pronto, perder não perdi... mas fiquei chocada com aquilo! Gelados com papel?? Oh 'miga, força nisso! Mas se fosses minha filha apanhavas logo com um par de estalos... com ou sem maquilhagem!!!!! Estas miudas são incriveis! Discutem por tudo e por nada! Pela roupa que não assenta bem no corpo, pela cor do batom que não consegue encontrar, pelas madeixas do cabelo, pelas notas da escola, pelos namorados que têm e que tiveram, pelos sapatos que invejam á outra... mas no que toca a questões de saude e bem estar são as primeiras a desligarem-se disso. Passa-lhes ao lado ou é impressão minha? Não interessa se ganham doenças ou ficam grávidas aos 16 anos! Naaaaaaoooo... O fixe ali é fumar merdas e beber tudo e mais alguma coisa, porque só assim é que elas pensam que se conseguem divertir e arranjar admiradores!
Saturno... vem tudo de Saturno!
Ah, outra... descobri que sou tão conhecida como o Marquês de Pombal! Quando finalmente saímos dali, 2 «piquenos» aproveitaram a boleia do facto da porta estar aberta e sairam também conosco... e o que aconteceu? O óbvio! O encanto masculino veio ao de cima e começaram com o costume:
" Aaiiii, 2 meninas a irem para casa sozinhas... que crime! "
- "Sozinhas? - entrei eu na ramboia - Nunca!! Vamos uma com a outra! "
E a seguir... se estavam bêbados... deixaram de estar porque ambos ficaram a olhar para mim com um ar meloso e exclamaram: "Oh meu deus, tu és a ______________ "

Entrei em pânico!! Ou melhor, como diz a outra: paniquei!
Olhei para a Mônica e com um ar assustado referi que nunca mais bebia tanta coca-cola seguida!
" Mas és não és? Claro que és! És a __________! Moras do outro lado da cidade e costumo ouvir-te na rádio!! "
(Eu não os conhecia de lado nenhum!)
- Rádio? Ah... então conheceram-me pela voz...
Resposta de um deles: " não... mas lembro-me de te ver num espectaculo de fado de mão dada com um cona qualquer... "
Huuummm... Da minha boca... não saiu nada... A Mônica soltou uma gargalhada... (que o dj por certo, até ouviu...) olhou para mim e disse simplesmente: " Afinal já ñ quero bazar! Vou lá dentro buscar qualquer coisa para beber!
Na mesma altura chegou o meu rim direito, agarrei-me a ele e disse-lhe que tinha encontrado gente desconhecida a criticar-me pelo "meu passado" !!!
- Absolutamente compreensivel... sempre achei que foste sub-aproveitada!
- Pronto, ok, não quero saber, como correu o espectaculo no Algarve?
- Bem... ainda deu para uns mergulhos e umas jolas... muitas meninas bonitas, mas nenhuma me quís... Já agora, tu é que podias casar comigo!
Quando ía para responder houve uma desgraçada qualquer que me empurrou e gritou desesperadamente: " Vou vomitar car....lho!!!! " Atrás dela corria também uma suposta amiga com um copo de cerveja na mão e a imitar o som de uma ambulância...
- Não, mas obrigada pelo pedido - concluí eu - Só daqui a 6 anos é que posso pensar nessas coisas!
A Mônica chega com uma água na mão e também com cara de poucos amigos:
- Que merda, pisaram-me e tentaram-me apalpar as mamas, achas isto normal?
- Acho! - respondi - Aqui tudo o que mexe é para pescar! Vamos mas é embora antes que apareça o Barack'Obama vestido de zorro e a cantar a madonna!




















24/08/2009

BeleZa AzUl

Ela estava feliz, linda no seu vestido azul com a "e'charpe" pelos ombros... e apaixonada... usava inclusivamente aliança de compromisso (oferecida por ele num aniversário seu). Nunca achou que aquilo significasse alguma coisa... Ter ou não ter aliança não iria reforçar o sentimento que tinha por ele... Mas achou o gesto bonito. Pensou mesmo, que com aquilo tudo ele gostava mesmo dela... Portanto, ía ser simplesmente um dia perfeito! Estava lá toda a gente... Acabara de se licenciar e uma festa foi organizada para comemorar o fim de 4 anos agarrada a livros e noites mal dormidas! Por ela, o ideal era convidar "aqueles" amigos mais chegados e passarem a noite toda a comer pizza e a beber cerveja!
Mas o orgulho paternal era tanto que foi exigido muito mais que isso. Aquilo parecia mais um casamento do que propriamente uma comemoração! Um conjunto musical tocava tudo e mais alguma coisa e havia empregados por todo o lado! Havia pessoas que mal conhecia e poderia até dizer que nunca tinha visto...
Passou a noite anterior no recato do seu lar, com as suas amigas e família, a divertir-se e a cuidar dos últimos preparativos para a festa, quando o seu telemovel tocou, sms dele... que dizia simplesmente “Amo-te”.
Sorriu... era impossivel não fazê-lo... Tinha 21 anos e naquela idade tudo parecia perfeito. Namorava com o suposto "homem" da sua "vida" e dali a poucos meses completavam 5 anos de namoro.
Mas no dia da festa ele estava diferente... mais distante... aborrecido e chegava a ser arrogante!
Era estranho mas todos nós temos dias assim... diferentes...
Ou simplesmente estava um pouco enciumado com toda a atenção que ela estava a receber.
Até ao momento do "copo d’água"! Ele não entrou com ela.
Ficaram os 2 sozinhos cá fora... e ele disse que não se sentia bem... que tinha mesmo que partir... sair dali... e a pequenos passos começou a afastar-se dela.
E ela entrou em pânico... não estava a perceber... que se passava? Tinha ela feito algo de mal? Aliás, no fundo ela sabia que não tinha feito nada de incorrecto... mas naquele tipo de momentos questionamo-nos sempre... pensamos em tudo e voltamos a analisar em segundos na nossa mente se fizemos ou não algo que possa ter contribuído para o mal estar daquela pessoa num determinado momento.
Ele caminhava em direcção ao carro e ela preocupada, corria atrás dele, para saber o que se passava. Queria uma explicação... implorava mesmo por isso. Não percebia porque raio estava ele a deixá-la sozinha no meio daquela confusão toda!
- “Existe outra pessoa?"
Perguntou na sua mais pura inocência ao esperar uma resposta negativa da parte dele.... que acabou por não ser negativa... Ele afinal tinha um outro alguém e esteve com esse alguém na noite passada... logo a seguir aquela mensagem que ela recebeu e sorriu...
Naquele segundo caiu-lhe tudo... a verdade estava a vir ao de cima e ela não queria aceitá-la. Não podia ser... Por segundos pensou que era tudo mentira, que tudo ía voltar ao normal. Mas enganou-se.
Ele entrou no carro e foi-se embora... deixou-a no meio do parque de estacionamento... sozinha. As lágrimas finalmente começaram a cair aos poucos até se tornarem cada vez mais intensas.
Olhou para a aliança... tirou-a, ficou a olhar para ela durante alguns minutos.
Ouviu a voz do pai. Estava a chamá-la. Esperavam-na lá dentro como seria normal... e reparou que ela estava sozinha... e a chorar!
Olhou para ele... “Desculpa... vou já para dentro e não te preocupes, eu estou bem”.
Ele não disse uma palavra... Mas é pai... Olhou para ela, beijou-lhe a mão e abriu-lhe a porta. Foi para dentro, tentou compôr-se na casa de banho e o resto do dia... foi puro fingimento.

Tentava lutar por uma postura correcta e tranquila.

As pessoas perguntavam por ele (o que a punha ainda mais desconfortável) e como desculpa, justificava a sua ausência por problemas familiares. Mas no fundo ninguém acreditava nas suas palavras. Por uma simples razão: a aliança já não estava no seu dedo.
Foi um dia angustiante... Mas foi uma perfeita actriz!
Passou o dia inteiro a beber e quando reparou que só dizia merda, decidiu fazer um favor a ela mesma e acabar a noite sentada num banco de jardim com a garrafa ao lado. Já não tinha maquilhagem, o cabelo estava um nojo, o vestido azul amarrotado e estava descalça... doíam-lhe imenso as pernas! Passou o dia inteiro a beber e a dançar. Sentia-se assim... a pior pessoa do mundo. A sensação de sermos abandonados por alguém deixa-nos tão pequenos que até uma mosca se torna bem mais poderosa que nós, naquele momento. E nada a podia acalmar, nada nem ninguém. E muito menos o tal tempo que todos dizem ser o melhor aliado nestas alturas. Qualquer tipo de conversa com o objectivo de a animar era inútil. Agradecia o carinho que as pessoas lhe transmitiam, claro, mas nada... mesmo NADA, a animava. Nada a fazia sentir-se melhor. A dor é tão forte e amarga que não nos deixa raciocinar com clareza. Invade o nosso espirito e entranha-se lá... por completo, toma conta do nosso psicológico e manipula os nossos actos.

Sim... ok... acaba por ser psicológico. E depois? Ela não era das que conseguia dividir as coisas. Não conseguia bloquear aquele momento numa parte da sua mente.
Puseram-lhe os cornos! Não conseguia simplesmente pôr isso de parte e sorrir.
A única coisa que queremos é apagar aquele momento, fazer desaparecer a dor... algo que nos deixa de tal maneira angustiados que nem o nosso próprio choro serve como desabafo. Só queríamos estalar os dedos e acordar como novos... mas não... não funciona assim... é sem duvida uma das piores dores que se pode sentir. E desesperadamente só temos que aguentá-la. Dia após dia... uns dias melhor, outros nem tanto... mas vivendo... um dia de cada vez... com calma... e aos poucos ganhar esperança, (aquela esperança que julgávamos perdida), de que realmente possamos voltar a sorrir e a pensar de outra maneira. Ver o nosso dia-a-dia de outra maneira.
Mas enquanto estamos naquele momento sem uma única visão positiva, inventamos todo o tipo de situações para poder ao menos enganar a dor... mas não resulta, porque ela continua a estar lá. Nem adormece sequer.
Ao continuar naquele banco de jardim, tão concentrada nos seus problemas, nem sentiu que aos poucos alguém se aproximava.

- “Com licença... a menina deixou cair isto esta tarde... penso que lhe pertence “
A sua "e'charpe"...
Era um dos empregados da festa...
Enxugou mais uma vez as lagrimas, sorriu e agradeceu.
- “A menina sente-se bem?” perguntou ele. Aquele tipo de perguntas estúpidas que as pessoas fazem, e que mesmo já sabendo a resposta, perguntam na mesma para parecer bem.
Era alto, tinha um olhar brilhante e transmitia serenidade...
Sorriu novamente e acenou de uma forma positiva. Até lhe ofereceu um gole de champanhe da sua garrafa.
Passado 2 horas estava na cama com ele.
Nunca mais o viu... Nem se lembrava do nome dele...
Quando acordou, sentiu uma enorme dor de cabeça e quando olhou para o lado, aquele desconhecido estava ali... sentiu vómitos e sem pensar pegou nas coisas dela e fugiu.
Ele acordou... sozinho... procurou por ela mas num determinado momento percebeu a história toda quando viu na mesa de cabeceira um anel... supostamente de compromisso... com um nome feminino ( o dela ) e uma data.
- " Bem... esta tem mesmo a mania de perder tudo pelo caminho..."

Tudo aquilo era tão ridiculo...
Desgostos de amor?
Tanto drama por causa disso... quando na verdade, não é o pior problema da vida... pois não?
Depois de um bom banho e um pequeno almoço bem reforçado... olhou-se ao espelho. Penteava-se e preparava-se para sair. Sorriu... irónicamente, mas sorriu. Principalmente quando tropeçou em quaquer coisa: o vestido azul. E sem saber porquê... sentiu-se bem. Aquela cor de uma certa forma reconfortava-a... e deu por ela a pensar. Recordou a vida que tem, para tudo o que a rodeava e pensou nas muitas pessoas que adoravam viver a vida dela. Tinha um lar onde se refugiar... uma família perfeita que a apoiava em tudo, os melhores amigos do mundo... Que mais podia ela querer? Ele? Para quê? Agora nem isso valeria a pena...
Era injusto. E sintia vergonha por ser tão egoísta a esse ponto. Ele que ficasse com ela. Mas aquele tipo de dor... é muito mais forte e transformava-se outra vez num drama sempre que pensava nisso. É irracional. E só quem passou por lá, é que pode dar o devido valor. Porque quando amamos, entregamos tudo. Até aqui nada de novo.
O problema... é habituarmo-nos ao vazio que a outra pessoa deixa quando se vai embora.




24/06/2009

Portanto, só aos 32?

Eram dez da manhã... O meu pai entra no meu quarto com a habitual pressa do costume: "Nina, ta na hora, temos que ir... chegasses ontem mais cedo!!" Pronto... Tudo bem... eu detesto levantar-me cedo... mas acordarem-me as dez da madrugada... a um domingo... e ainda por cima por causa de um baptizado... isso simplesmente... não se faz!! Ainda bem que não bebo... Provavelmente teria acordado com aquela coisa que o pessoal tanto se queixa.. “ressaca”. Mas mesmo assim, quando me olhei ao espelho o efeito de ter dormido de um modo... digamos, apressado, reflectiu-se na minha cara.. E isso não ía enganar ninguém. A minha mãe estava com o mesmo problema que eu: sem vontade! Mas vá... puto novo na família... e acho que não vale a pena explicar mais nada. O meu irmão já lá estava... com a mulher e o filho... De vez em quando lá ligava para o meu pai: "Então demoram muito?" Numa dessas vezes roubei-lhe o telemóvel e num tom especialmente agradável respondi-lhe: "A TUA VIDA NAO TE CHEGA????" Passado alguns minutos o meu 206 maquina speed super turbo lá se encaminhou para as Caldas da Rainha e quando chegamos ao nosso destino deparei-me com o cenário habitual: a família toda junta á porta da igreja, os mais velhos a queixarem-se de supostas doenças ( com os típicos gestos de meterem as mãos atras das costas e mostrarem aquele ar fatigado) e os mais novos com a mesma cara que a minha... a única diferença... sentiam-se mal, com umas estranhas dores de cabeça que não os deixavam sossegados... e passavam o tempo todo a dizer para toda a gente "fala mais baixo".Portanto... tudo... menos dar confiança ao puto que realmente merece toda a atenção... porque vai ser baptizado! Mas não.. isso é secundário. Tanto ele como os pais! A mãe, com o tradicional peito do tamanho de dois balões acabados de encher e o pai com as olheiras de quem realmente não dorme há 15 dias e está deserto para que a festa acabe, para poder dormir uns 10 minutos e dedicar o resto da noite a abanar o cachopo no berço antes de ir trabalhar. [Típico] A minha família é enorme... Infelizmente estamos juntos poucas vezes... somente em certas cerimónias ou acontecimentos especiais... mas por outro lado, quando o pessoal se junta, há sempre novidades e coisas para contar... excepto eu... não sei porquê, a minha vida banal de estudante nunca tem nada de fascinante para contar. Principalmente que interesse aos mais velhos. Até pelos mais novos sou excluída nesse sentido... por não beber. Um “crime” dizem eles. Estudante que é estudante... apanha grandes bubas e faz figuras tristes as tantas da manhã, mete-se com os homens do lixo e rouba sinais de transito ou carrinhos de supermercado! Eu como só bebo coca-cola sou considerada a classe do povo... eles são a nobreza! Mas por outro lado, sou perdoada e mimada á exaustão por tal “defeito”. Uma vez que não bebo sou sempre a escolhida para levar o carro. O típico “taxi” de serviço! Fico contente por ser nesse sentido o centro das atenções e ver os meus colegas disputarem a minha confiança e principalmente... a minha boleia! [- “Não, não.. a Maria hoje sai conosco”] E moeda ao ar? Cara ou coroa? Pronto, peço desculpa! ( Se a minha mãe lê isto!) Na verdade, sempre fui o contrario do resto das mulheres da família... tias, primas, emprestadas, etc... meninas ou senhoras de bem. E eu, a rebelde, respondona e impaciente... que só está bem fora de casa e não quer saber se a mala que traz faz um bom conjunto com os sapatos... Até era um dos temas de conversa... como fazia um calor infernal, e para quem estava no Outono, usar ou não sandálias podia ser, para elas um problema... grave!! Quando a cerimonia começou... só consegui estar 13 minutos na igreja. Sou católica... transmitiram-me esses valores mas não acredito que frequentar uma igreja todos os domingos vá fazer de mim uma pessoa melhor. E quando vim cá para fora deduzi que o resto das senhoras também pensou o mesmo. Sentadas... umas em muros, outras em bancos... falavam animadas e riam como se não houvesse amanhã. Incrivelmente os homens ficaram lá dentro! A minha opinião? Simples! Numa igreja não convém falar muito... e deve ser dos poucos momentos que eles sentem aquela paz e sossego sem a respectiva mulher a "mandar vir" com qualquer coisa..."Oh Nina, estamos aqui" gritou a minha prima Rita. (é importante referir que ninguém me chama pelo nome! Ou seja, baptizaram-me lá pelas questões religiosas e escolheram Maria porque seria o mais simples).

Sentei-me no muro e não foi preciso muito tempo para perceber qual era o tema de conversa... sexo e homens. (ao lado de uma igreja... e a rebelde sou eu) Cada uma contava a sua experiência, como estava o seu casamento ou respectivo namoro. Depois disso, descobrimos que eu e a Rita somos as únicas completamente solteiras ou encalhadas na família! Algo que não me afectou muito. E muito menos a ela... advogada, trintona, uns quilinhos a mais e ainda a morar com a mãe, respondeu toda divertida: " Não me quero meter nesses filmes... ainda sou muito nova. A nina que se case primeiro" [ Sem comentários... ] Aliás, notou-se um silencio entre nós que felizmente foi quebrado pelos típicos desbloqueadores de conversa... " E o benfica ontem pá?"... Mas algo extraordinário se passou... a Lili, actual companheira do meu padrinho, impressionou-nos com os seus dotes de vidente! Algo que eu desconhecia... uma bruxa na família! E francesa! Ah oui an? Paris de France! Que pense tu, trabalhar na canse! Sempre muito fresca, muito airosa e com aquele "savoir faire" cheio de "je ne sais quoi"... a nossa caríssima “vidente” teve os seus 10 minutos de fama quando saltou do muro, pegou na minha mão e naquele sotaque muito... francês... disse com toda a segurança e toda a sua fé: "Mais oui... eu vou já ver qual das duas se vai casar primeiro.. allez Marie, dá-me a tua mão ma petite!”Que lindo cenário... tudo de boca aberta, completamente focadas na atitude dela e no que ela poderia dizer... incluindo eu!! E tínhamos razão para isso porque a consulta dela foi fantástica! E começou bem!
"Nina... alguma vez estiveste apaixonada? Hum? L'amour, la vie en rose?"
Uau... pensei eu, isto hoje vai ser mesmo interessante. Acordaram-me para o filme mais surreal de todos os tempos! Tenho aqui uma cambada de mulheres com os olhos postos na minha mão... Que raio de pergunta... toda a gente sabe que eu namorei 5 anos... e como ele não tinha nenhuma mansão com piscina ou um ferrari na garagem... acho que foi mesmo por amor! ( estou a brincar!!!!!! Adoro o meu pejox e casas grandes, quem as quiser, que as limpe!! ) Mas sinceramente! Ninguém namora 5 anos só porque lhe apetece! Se bem que hoje em dia... a palavra “namoro” encontra-se infelizmente em vias de extinção. Alias, sinceramente, para mim deixou de existir! Neste nosso educativo século XXI, ou uma rapariga casa-se... ou arranja um montador oficial! Calma! "Arrete" como diz a minha tia. Pronto... eu sei, soa mal... mas no fundo é a mais pura realidade. Já ninguém perde tempo com ninguém... já ninguém tem paciência ou luta por alguém. Obvio que há excepções... mas essas estão nos filmes de cinema. Eu olho para os meus pais e fico babada pela relação que partilham depois de tantos anos de vida em comum. E hoje em dia... ninguém quer compromissos, ninguém quer a responsabilidade de estar com alguém de um modo mais sério. Posso estar a escrever algo completamente ridiculo... mas infelizmente, escrevo pelo que vejo. Algo em contrário, por favor digam... Mudo já de cidade! Ok... prosseguindo... ela continuou a insistir com a mesma pergunta... e disse mesmo que o que eu vivi nesses 5 anos não significou nada... alias tudo o que eu vivi anteriormente no que dizia respeito a casos amorosos nunca foi real ou sentido... mas sim lições de vida.
Lições de vida??
Oh martini larga a mulher! Então do nada vem uma gaja qualquer e diz-me que eu nunca estive apaixonada? E amanhã? Vão-me dizer que o planeta afinal é quadrado e que nas pontas podemos dar um nó?! Pior foi depois!- “ Marie... ma petite, só aos 32 anos é que vais casar e serás mulher desse homem só!
”Só aos 32? AINDA POR CIMA??
Lindo... não sirvam mais nada para este canto, por favor... E eu confesso que depois daquilo, olhei insistentemente para a minha mão, para tentar visualizar um 3 e um 2... e inclusive perguntava a outras pessoas ali por perto se conseguiam ver alguma coisa... mas nada! Somente aquela mulher... francesa tinha visto aquilo! Tentava arrancar opiniões atrás de opiniões e encontrar uma explicação para os 32 anos! Mas no fundo, a mais óbvia que eu sinceramente via e aposto que toda a gente concordava comigo seria: estupidez! Porque é de facto... estúpido dizerem-me que eu nunca estive apaixonada e que isso só vai acontecer quando eu fizer 32 anos! O meu pai não gostou muito da conversa... Perguntou mesmo se a Lili não se tinha enganado e em vez do 32, ñ seria antes 23... O que tornava as coisas mais complicadas não? Tinha que pôr um anuncio no jornal, teria que ameaçar os americanos por causa de uma máquina do tempo e como amanhã combinei ir jantar com a minha best, não iria valer a pena... Prefiro pensar que de facto ela acertou na idade. A minha mãe ficou escandalizada! "Credo, que horror... 32 anos! Não se brinca com essas coisas! A nossa vida está nas mãos do destino" Yap... esta palavra é por certo, umas das preferidas da minha mãe. Aliás, ás vezes até penso que é algum vizinho nosso, pela maneira como ela fala dele. Qualquer coisa é o destino!Mas... e se for verdade? E ate lá? Imagino-me por exemplo na praia:- " Olá, sou o João, posso fazer-te companhia?"A minha resposta vai ser qualquer coisa do género:- "Desculpa mas não podes... no entanto, ficas com o meu contacto e procura-me daqui a 7 anos. Ou então até chego mesmo a casar-me... um homem porreiro, uma vida estável com um filhote e quando completar os tais 32 anos imagino-me a confrontá-lo com um pedido de divorcio:- "Querido, desculpa... mas tenho que te deixar... tenho 32 anos e vou finalmente apaixonar-me e conhecer o verdadeiro homem da minha vida!" Já sei! Melhor ainda... entro para um convento! Torno-me numa freira nos próximos 7 anos e dedico a minha vida ao Senhor. Tiro o curso via net para ser mais rápido e o habito de freira em si também n deve ser muito difícil de encontrar... alguma coisa e aperta-se nos lados! O mais complicado deve ser decorar os nomes dos santos... mas vá... tenho a certeza que quando sair vou encontrar logo o homem da minha vida!!! Aliás, deve ser logo o primeiro que me aparecer a' frente porque 7 anos a hibernar... é capaz de ser complicado não?

Moral da historia? [Finalmente, eu sei] Independentemente do que vos for dito, independentemente de más experiências que possam ter vivido... nunca deixem de arriscar só porque alguém vos diz convictamente que não pode ser assim. Ha' que tentar sempre... Como li algures: "a vida são umas curtas férias que a morte nos dá".

Quando não se dorme ...

Adorava escrever alguma coisa que me deixasse ficar orgulhosa. Mas infelizmente a inspiração não é muita. Penso que já se tornou, simplesmente num vicio: escrever. Agarrar num papel, num lápis... e deixar-me ir. Muitos fazem algo parecido... "pegam" no carro e conduzem sem destino.
Portanto, neste momento também estou a fazer o mesmo. A escrever sem querer chegar a uma conclusão especifica. Por um lado acredito que seja bom! Mantenho a minha mente ocupada... exercito a minha suposta gramática intelectual [ou não]... posso mesmo analisar o meu próprio texto, de corrigir alguma frase que não esteja correcta... e "bec bec".
Por outro lado... sei lá, não tenho sono... Ligo a tv nos canais de sempre, e como a maior parte dos programas não interessam ou simplesmente são repetidos, olho para a esquerda e fico a olhar uns segundos para o meu caderno... e faço o que fiz hoje... vou buscá-lo e começo a escrever. Ainda olho para o telemovel... mas, obviamente que a esta hora ninguém está disponivel para me aturar. E refiro-me aos amigos, claro... Aqueles que até perdem tempo para ler isto =/

[Já agora... Tycia não te respondi porque fiquei sem bateria e encontrei uma musica brutal!]

Hoje, quando fui beber a minha habitual coca-colinha ao Capador vi um casal amigo dos meus pais. Gostei de os ver... principalmente a ela. Uma senhora já de idade que conseguiu combater um cancro há coisa de poucos meses. Vi nela uma força de viver completamente surreal. O sorriso, o optimismo, a felicidade estampada no seu rosto [como é de esperar] e vi também a união e o carinho entre ela e o marido. Os 2 de mão dada a passear e a aproveitar cada minuto daquela noite. Da companhia...
Confesso que fiquei comovida. E no meu intimo, afastei-me um pouco da realidade e sonhei com o mesmo... de um dia poder ter aquilo para mim. [ já sei... tipica conversa de gaja] Mas acho que todos, chegamos a um ponto em que damos por nós a imaginar o mesmo!

Olha! Incrivel! Tocou o tlm... sms... Hum... a esta hora? =D

...

Oh.... vodafone =/ [só podia... ah e tal carregamentos obrigatórios, sms's gratuitas e bec bec...]

Bem... em frente... aproveitei e fui buscar bolachas. Ouvi o meu cão a revoltar-se supostamente com um gato, chove a potes e ouvi também a minha vizinha a tirar a carrinha da garagem. Aquela senhora que vem muitas vezes a minha casa dar maças e laranjas, e que pede á minha mãe para lhe explicar coisas do banco e da segurança social! Muito bom... numa tarde apareceu toda contente porque o sobrinho tinha feito uma casa com aquelas banheiras enormes no jardim onde podiamos tomar banho! Mas melhor do que esta personagem, é mesmo a nossa outra vizinha, a D.Céu! A que tem um genro muito rico e que sabe falar inglês como "aqueles verdadeiros da Inglaterra" Ah... e que tem todo o orgulho em afirmar que é mal-tratada pelo marido e que até houve uma vez que a deixaram a pé, no dia do casamento da filha, e teve que ir de taxi para o copo d'água!!!!
Aaaahhh bela terrinha esta... Terra santa com pessoas de Saturno...

Bem... entretanto até o meu pai acorda e eu aqui... aliás... já acordou... o relógio despertou há coisa de 10 minutos. "Bom dia"... [para ele] onde para mim continua a ser uma "boa noite" ...


Uma maneira diferente de partir...

... e foi a pior maneira que escolhes-te para o fazer.
E eu nunca vou perceber o porquê. Desde que recebi a noticia, não consigo parar de pensar em ti e no que se está a passar. Estou confusa. Não consigo acreditar que é verdade e que realmente te foste embora... de vez! Estou á espera que o meu irmão me ligue. Deve estar a chegar de Lisboa... onde tu estás. Estou ansiosa e não vou conseguir adormecer sem saber porquê. Dei por mim a chorar e a tentar voltar atrás no tempo para procurar algo que tenha originado a situação. Porque simplesmente não me conformo. Lembro-me de fotos que tirámos, vejo-as constantemente... por exemplo naquele dia, naquele jantar, sentado ao meu lado... falavas da universidade que frequentavas. Recordo o teu olhar tímido. Das festas onde íamos e dançávamos... Da maneira como falavas comigo, dos olhares que trocávamos nas festas, cúmplices em brincadeiras e partidas... coisas simples... coisas que me faziam pensar que eras feliz...Da simples amizade que nos unia. Lembro-me de me pedires o meu e-mail... eu escrevi-to num papel, penso que o guardas-te mas nunca chegas-te a adicionar-me.

Podias ter desabafado comigo, eu podia ter puxado por ti, podia ter-te ajudado.
Podia ter sido diferente...
Podias estar cá... até podíamos estar a falar pelo suposto msn a esta hora, em vez de estar a escrever esta carta... como um desabafo, como se me estivesses a ouvir.Podias simplesmente estar cá.“Podias...”
A palavra que se repete vezes sem conta... E que vai estar na boca de toda a gente. E que vai desaparecendo aos poucos da nossa memória... Menos tu.

Porque o tempo pode encarregar-se de tudo... menos disso.
Estejas onde estiveres...